Bancos Vermelhos: a que vieram ?

Rafael Pagnon Cunha

Em semana na qual inauguramos três bancos vermelhos em Santa Maria, totalizando 10 até então ornando (e fazendo refletir) nossa cidade, as redes sociais destilam sucessão de críticas ao mobiliário urbano. Inconformidades que propiciam esclarecimentos. O que são os bancos. A que vieram.

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A campanha teve sua gênese na Itália, há uma década, por iniciativa de mulheres que tiveram arrancadas de suas vidas amigas, perdidas para o bárbaro crime de feminicídio: mulheres mortas por serem mulheres. Essas italianas transformaram dor em luta. Luto em luta. Em movimento social. Em peça de simbólica resistência à normalização da violência do homem contra a mulher. E a campanha espalhou-se pelo mundo, aportando ano passado à Boca do Monte, com a primeira intervenção no Calçadão.

 
O vermelho dos bancos simboliza o sangue das mulheres vitimadas pela violência de gênero, e frases de impacto completam a mobília pública: “Sente, reflita, levante e aja” ... “Você não está sozinha”... “A vida começa quando a violência acaba” ... “Lutamos pelo feminicídio zero”.

 
Mas e qual seu objetivo, perguntam-se alguns. Mudará algo em nossa realidade, indagam outros.

 
Pois os bancos vermelhos carregam consigo uma missão: trazer ao espaço – e ao debate – público tema que, por anos, ficara escondido em recintos privados. Reduzido ao interior das casas. Na invisibilidade dos lares. E no silêncio das consultórios psi: a tirânica violência do homem contra a mulher.

O incremento impressionante dos números de feminicídio no Rio Grande do Sul, neste triste começo de ano, escancaram certeza de que desfrutamos: somente a repressão não é suficiente. O – cada vez maior – deferimento de medidas protetivas é importantíssimo, sem que, todavia, complete a atuação do Estado. Prender é fundamental – mas não é bastante. 


A educação de nossos meninos e meninas é vital – porém, não é suficiente. O engajamento da sociedade é indispensável. Conscientização e participação. Para isso, servem os bancos. Não constituem a única resposta para um problema dessa envergadura. Apresentam-se, sim, como mais uma ferramenta em uma guerra que ainda não tem fim. Venceremos um dia essa peleia, estou convicto. 


O resultado buscado será alcançado. Não sem união de esforços. Sempre com engajamento e compromisso. Do Estado. Da Comunidade. De todos nós.

 
Que a iniciativa daquelas mulheres, no longínquo 2016, nos inspire. Que possamos também transmudar nossa indignação em atitudes. O combate à violência e aos – inaceitáveis – feminicídios jamais terá sucesso sem ações coletivas. Os bancos vermelhos são mais uma arma nessa batalha. Eles são um símbolo. Mas podem ser muito mais. Depende de um compromisso coletivo. De um renovado pacto social. E das ações que a esse compromisso se seguirem.

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